29.11.09
23.11.09
take your time ou a insustentável leveza do estar

Levada a palco 50 vezes, ontem a última (no Maria Matos). Quem não viu, não poderá ver mais, e jamais saberá o que perdeu. Descansai. Nós estivemos lá, no entanto, sabemos bem que uma escolha implica sempre uma recusa. Aí está a insustentável leveza: Quanto mais ganhamos ante o mundo, tanto ou mais perdemos do mundo. Bleib Opus#3, coreografado por Michel Schweizer, cinco brilhantes actores belgas treinados para a submissão e a violência; metáfora, tão difícil quanto bela, de um mundo bem agrilhoado, programado para a submissão e a violência. Está certo, já todos sabemos que a ideia não é nova, mas o mundo, infelizmente, também não é.
22.11.09
bater a primeira linha [19]
admira-te
tesão
Samuel Beckett. O primeiro amor. p.16 [Não muito boa Trad. de Alberto Nunes Sampaio]
19.11.09
17.11.09
s/t
You are my sister, we were born
So innocent, so full of need
There were times we were friends but times I was so cruel
Each night I'd ask for you to watch me as I sleep
I was so afraid of the night
You seemed to move through the places that I feared
You lived inside my world so softly
Protected only by the kindness of your nature
You are my sister
And I love you
May all of your dreams come true
We felt so differently then
So similar over the years
The way we laugh the way we experience pain
So many memories
But theres nothing left to gain from remembering
Faces and worlds that no one else will ever know
You are my sister
And I love you
May all of your dreams come true
I want this for you
They're gonna come true (gonna come true)
[Antony and the Johnsons. You Are My Sister. From I Am A Bird Now]
Para a woody; sim, para ti minha puta sem título.
16.11.09
El derecho al delirio
Video realizado por Nerea Ganzarain, con música de "Bosques de mi Mente" y un texto de Eduardo Galean. Via: Facebook Maria De Lurdes Craveiro, a quem agradecemos a maravilhosa partilha.
1989 [III] (The) Good (Bye) Lenin
Good bye Lenin!/Dir. Wolfgang Becker (2003). Aqui dobrado para italiano.
1989 [II]: o grande trambolhão

[Imagem: Carlos Relvas. Auto-retrato. Também sei fazer destas inomináveis caretas.]
8.11.09
1989 [I]
Material (excerto). Thomas Heise
Quase três horas de uma história que continua. Esteve no Doclisboa/2009.
6.11.09
coisa grotesca

A Srª Dona Olívia é muito boa pessoa, mas não perdoa quem não paga a renda. Acho muito bem, cada qual tem de fazer pela vida. Há uma passagem de Pantagruel que eu gostaria de citar aqui, mas agora não me apetece, até porque fala de merda e odorantes do género. Quem não leu ainda Pantagruel de Rabelais sabe bem do que estou a falar, pois deverá ser uma merda não ter lido, ainda, o Pantagruel de Rabelais, gerado por seu pai Gargântua e sua falecida mãe, que Deus a tenha, chamada Bocaberta mas sufocada, por seu próprio filho, na bendita hora do parto. O cão, que acabou de passar na Avenida Defensores de Chaves, talvez seja o próprio Fernando Pessoa, pelo menos quando subo as escadas do velho prédio, cuja fachada principal dá para o Campo Pequeno, lembro-me sempre do Fernando Pessoa; não havendo memória de aqui passar a carreira número 15, tudo isto me parece estranho, mas como não acredito na metempsicose, prefiro a Avenida de Roma; um dia, lá mesmo, dei de caras com o Pedro Mexia que me disse que conhecia vagamente sicrano e beltrano, pedi uma água natural sem gás e vi-o ir-se sei lá para onde, a mim tanto se me deu - lá está, não acredito na metempsicose - o que é certo é que prefiro, de perto, a Avenida de Roma. Isto não é Adília Lopes nem a coisa que a valha, trata-se, apenas, de já não saber, ainda agora falei com ela, para que horas marquei com a Srª Dona Drª Isabel, à frente do Hotel Roma, visita à minha casa nova, que eu cá prefiro, de longe, a Avenida de Roma, e não é que estou sem saldo no telemóvel, ó meu grande Pantagruel? Porquanto bebo água natural sem gás, dir-se-ia que pareço bêbada, ó meu grande Pantagruel.
7.10.09
...Sancho.

25.9.09
o bidé

25.6.09
18.6.09
em breve
31.5.09
ou se é Homem ou se é Homem


30.5.09
as esquerdas mais bonitas do ténis masculino


26.5.09
25.5.09
come cipralex, pequena
23.5.09
20.5.09
pessoas
19.5.09
12.5.09
mensagem
3.5.09
as primeiras favas do ano

29.4.09
vende-se

[Fotografia: O pormenor da casa de que mais gosto. Sou aquela que está sempre sentada no cadeirão vazio.]
27.4.09
guerra e paz
26.4.09
9.4.09
5.4.09
inspector Nicolau
Gógol n'A Barraca [até 31 de maio]*
* Pede-se dedicação ardente principal e preferencialmente aos queridos ledores d'O Regabofe residentes em Lisboa. Vereis que, se comparardes esforços, não fica muito longe de vossa casa, senão vede o meu caso: para ir a Lisboa, começo por ter de andar uns 20 minutos a pé (se for de noite e em tempo de chuvas, acumula-se o facto de ter de tomar diligências sérias para não pisar salamandras de cores muito exóticas que se atravessam no carreiro); de seguida, tenho de apanhar uma caleche puxada por uma mula velha e só muito para diante, cerca de hora e pico depois, é que já posso apanhar a carreira que passadas muitas horas, talvez dias (consoante os ventos), me deixe indispensavelmente bem perto do jardim zoológico, que eu, na Corte, gosto de ser recebida por gente comme il faut. Por isso, agora ide, ide «qu'a vossa mãe disse qu'ísseis».
4.4.09
Dustin Hoffman

e depois alfim, cossaca montada a cavalo, a paz
3.4.09
1.4.09
a mulher em Chekhov: da mãezinha à puta, com uma desandança de permeio
a) A mãezinha de Chekhov era uma santa e chamava-se Evgenia Chekhova. Nas cartas que lhe escrevia, começava por se dirigir a ela deste modo: Saudações, querida Mamã! [Atenção: M em capital].
b) Sobre as mulheres Gilyaks, que observou in situ, deixa o seguinte testemunho: São tratadas como animais domésticos, como objectos, (...) podem ser expulsas, vendidas ou pontapeadas como um cão. Os Gilyaks mimam os seus cães, mas as mulheres nunca.
Que Deus me livre da metempsychosis platónica, que eu, talvez por não suportar feministas, de certeza reencarnaria numa Gilyak, no entanto, assim de repente que me lembre, devo dizer que também não gostaria de exercer facilmente uma profissão sob os efeitos perversos da quota feminina. A Fernanda Câncio, p.e., ontem lá estava no A Torto e a Direito (TVI 24) diante do paz d'alma do Francisco José Viegas e de um outro cujo nome não lembro, mas de certeza atacado pelo terceiro dia da TpM, a tentar defender a tese da quota deitando mão aos (e cito-a) «350 mil estudos» que existem sobre o caso, mas que, parece-me pelo modo como titubeia em televisão (em blogue tartamudeia menos), não leu nenhum deles. Ainda assim, pior do que uma feminista que não agarra o mote pelos cornos e o defende com pertinência, é a feminista cuja voz rouco-esganiçada lembra os insectos estridulatórios diante da língua de um camaleão. A propósito de camaleão e ainda no tema das quotas, o Francisco José Viegas, a dado momento, vira-se para ela e para a Constança Cunha e Sá e diz qualquer coisa do género: Ouçam meniiinas ou então deixem-me falar meniiinas. E as meninas nem tugiram nem mugiram, foi ver, por breves segundos, a Fernanda Câncio calar a sua triste falta de conhecimentos em geral e de postura em particular, e o Francisco, em vez de falar, desatou a debicar qualquer coisa no ar como um galo manso, contrariando os cacarejos da galinha ao lado. O Pedro Mexia sempre soube reconhecer não ter sido talhado para televisão. É triste, meus ledores tolerantes aos meus piores dias, achar que um programa destes ainda é melhor do que esperar eternidades pelo canalizador da allen.
c) Anton Chekhov ia às putas (é verdade, não é da vossa, tampouco da minha, imaginação; lestes mesmo bem). Anton Chekhov ia certamente às putas, senão lede esta passagem do mesmo livro: Está-se sempre a rir e profere de forma constante sons com "ts". Tem uma incrível mestria na sua arte, de tal forma que ao invés de só usarmos o seu corpo sentimo-nos como fazendo parte de uma exibição de perícia equestre de alto-nível. Quando atingimos o clímax, a rapariga japonesa retira, com os dentes, um pedaço de tecido de algodão da sua manga, pega no nosso "velho" homem (ahahahah, isto é sublime!, nem o Henry Miller diria melhor) (lembras-te da Maria Krestoskaya?) e de forma algo inesperada limpa-nos, enquanto o pano faz comichão na barriga. E tudo isto é feito com uma sensualidade artística, acompanhada por risos e do som musical dos "ts".
E fui eu condenar tantas vezes o comportamento do meu querido pai. Homens e mulheres, se fordes casados ou quase, quando chegardes a casa do lupanar, batendo as 5h00 no campanário da vossa consciência, lede esta passagem aos vossos cônjuges, se forem cultos exclamarão com prazer: «Ah, Chekhov, sim, sempre e a qualquer hora; mais, mais»; se não forem cultos, acharão simplesmente que estais bêbados e um bêbado dificilmente consegue coiso e tal.
Vou-me lá, são horas de comer o caldo.
com verdade te minto, com ficção nem por isso [2]
paixão
31.3.09
hemorróidas
O meu olho esteve a doer ontem e hoje, por isso estou a escrever esta carta acompanhado de uma forte dor de cabeça e de uma sensação de corpo pesado. As minhas hemorróidas também me lembraram da sua existência.
Anton Chekhov. Viagem pelo império russo. p.52. [Trad. (muito reles é favor) de Carla Garrido Barata]
29.3.09
Aviso
23.3.09
da mensagem dentro da garrafa ao... twitter?
Não sem algum pejo, por mim falo.
22.3.09
Eastwood aconteceu no oeste
Eastwood, coroa luminosa do sol, nasce a Oeste, no coração de Leone, e só recentemente e com a mesma resplandecência parece começar a morrer a Este de East ou em si mesmo. Independentemente de lutarmos ou não por aquilo que ele significa, cada um de nós transporta em si o seu próprio Eastwood. Sobre a cena final de Aconteceu no Oeste -- lugar onde a aura de Eastwood já havia acontecido (vídeo em baixo) e, por conseguinte, inaugurado um olhar humano que contraria, em o desacelerando, o disparo abrupto da existência -- escrevi, no dia 24 de Setembro de 2007, neste mesmo blogue, o seguinte trecho que em nada alterei, porque nada (para o bem e para o mal) poderia ter mudado desde então. É um texto sobre Justiça, sobre um sol que nasce a oeste e que morrerá em East(wood):
Ensinou-me o meu pai que, a partir desta cena (vídeo ao alto), passa a ser possível fazer todos os travellings à figura sempre remota da Justiça - deslocando o nosso olhar para a frente, para trás, de cima para baixo e de baixo para cima, acompanhando-a lado a lado e circularmente, ou montando sobre ela uma larga panorâmica. Não obstante, ficaremos sempre com a impressão dolorosa da sua impossibilidade, ainda que ela esteja em todo o lado e mais ainda, a cada passo, no gatilho do justo, mas infeliz justiceiro. Se é disparada, mata; se não é disparada, deixa morrer. Onde há morte, parece não haver justiça e, no entanto, a morte parece ser o último aviso da Justiça, mas sem possibilidade de retorno.
Independentemente de lutarmos ou não por aquilo que ele significa, cada um de nós transporta em si o seu próprio Eastwood, senão leiamos antes estes belíssimos textos: Ricardo Gross, Sérgio Lavos, Ricardo Gross, mais Ricardo Gross. É espalhar em grande vento.
Lévin
e um só filho chamado Nicolau
Gostei muito do texto do Luís.
duas filhas de um regabofe

21.3.09
a luz da ignorância
primavera omissa
Finn
20.3.09
a quem pertence ao turno da noite

Em plena noite, apenas um cão ao longe. São noites sem luz e dias claros. É o verão em pleno Alentejo, apenas um cão ao longe, as cigarras.
19.3.09
antologia da memória
Obrigada, Henrique.
[Vídeo: Memória de uma das fitas de Leone, irónica e infelizmente das mais esquecidas.]
18.3.09
pêlos no buço
17.3.09
isto é mais forte do que eu
16.3.09
é o diz-que-diz-que, Camilo

- Queria sentir o que sentia Camilo quando expelia naturalmente os seus excrementos. - Meu deus do céu - pensei eu - há gente neste mundo que não entende que jamais poderia trazer Camilo na cabeça, quanto mais nos intestinos.
freud diz que os orgasmos clitoridianos são infantis
Fila K - uma Cinemateca em Coimbra

15.3.09
primeira grande enciclopédia de poche
* Não sei (eu, woody) se é falha involuntária na gráfica da Quetzal, no entanto -- meu deus, jamais pensei vir a precisar de os citar -- , ensinaram-me os meus mais 'queridos' lentes da academia de Coimbra que há que consultar sempre as «fontes originais».








